• Joaquim Rubens Fontes

Te contei não? Jura?




Pois foi verdade sim, tenho prova, posso mostrar.


Empolgado com as pesquisas do mestrado, meti a cara pelos grandes mestres, como Machado, Cortazar, Borges, Mário de Andrade e me julgava o máximo no conto, no que era apoiado pela crítica de alguns professores. Assim, devo ter sido dos primeiros a ter mandado o trabalho para o concurso de um grande jornal e já contava com a vitória.


O sucesso, porém, fez-me generoso e ouvi os conselhos de um mestre muito amigo para passar algumas dicas a um colega da graduação, que também gostava de contos e desejava mandar um trabalho para o concurso, mas conhecia pouco da técnica.


Conselho dado, conselho atendido.


Fui procurar o colega, prontifiquei-me a ajudar e fizemos amizade. Na redação literária, porém, o garoto era um desastre, uma nulidade mesmo, no meu modo de ver. Tinha falhas na construção do personagem, do tempo e do espaço, além de alguns erros de regência, era na verdade um principiante. Conversamos bastante, emprestei-lhe alguns livros, passei-lhe muitas informações, fiz tudo a meu alcance, e estava certo de tê-lo ajudado, pelo que fui cumprimentado pelo mestre.


A glória porém durou pouco. Só até a divulgação dos primeiros resultados do concurso, com o nome dos dez primeiros classificados, onde, por um lapso imperdoável dos responsáveis pelo certame, meu nome parecia ter sido esquecido, mas o do colega estava lá e com uma crítica bastante favorável.


É claro que logo compreendi que havia sido vítima mais uma vez, certamente por falta de um padrinho político.


E olhe que sou modesto!

[JF1]

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